sábado, 2 de novembro de 2019

No Mundo da Fantasia

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Acentua-se a cada dia o faz-de-conta entre os gestores e o povo da nossa cidade. O poder público diz que faz, o cidadão faz que acredita e vamos sobrevivendo em meio ao caos enraizado.

Vamos sobrevivendo aos tropeços nas calçadas esburacadas, vamos escapando (quando dá!) dos riscos de atropelamento, especialmente nas “faixas de segurança” e continuamos fazendo de conta que está tudo bem e que a nossa cidade é o paraíso dos idosos. Sim, num ponto ela é mesmo: na chanura de sua topografia natural.

Eu gostaria de sugerir (se é que pode lhes interessar) aos canais de televisão - que exploram a curiosidade e a morbidez humanas, divulgando cenas de acidentes fatais - que colocassem uma câmera 24 horas em um ponto estratégico da cidade, para mostrar o respeito que têm alguns motoristas, motociclistas (dos ciclistas nem se fala!) pelos transeuntes, nas faixas de pedestres onde haja um semáforo ou até em cima das calçadas.

Poderia ser no início da Rua Galeão Carvalhal, ali no Gonzaga, bem juntinho da Praça da Independência. Uma câmera colocada em posição estratégica, de forma o mostrar o semáforo, a faixa de travessia e os veículos que por ali transitam.

Com certeza serão inúmeras as cenas de tentativa de homicídio e de suicídio gravadas por esse olho mágico, do qual a prefeitura reluta em fazer uso, pois vai mostrar a realidade e a inércia dela própria.

Haverá cenas inusitadas, se por ali passar algum agente da CET, da Guarda Municipal ou da Polícia Militar e, olhe que é o coração do Gonzaga.

O canal de televisão que se dispuser a fazer uso desta sugestão, naquele ponto poderá captar caminhão transitando na contramão de direção, motocicletas saindo do estacionamento da praça e enveredando pela calçada, para adentrar a Rua Galeão Carvalhal, isso quando não vierem pelo passeio dessa mesma via, em direção da Praça da Independência. Poderá flagrar também todo o tipo de veículo automotor cruzando o semáforo aberto para pedestres ou vários desses – alguns empurrando carrinhos com bebês – também atravessando no vermelho.

Carlos Gama.
02/11/2019 23:36:35
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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Os Privilégios

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Enquanto sustentamos as nossas falsas pretensões de "salvar o mundo" ou o país, damos total apoio - até com o nosso silêncio cômodo ou covarde - ao crescimento descabido ou desarrazoado dos privilégios que contemplam, sem qualquer justificativa válida, alguns grupos em detrimento da maioria.

Hoje, com a facilidade das comunicações, toma-se conhecimento da concessão de uma série de vantagens indevidas, especialmente para os que sobrevivem da sinecura ou se abrigam à sombra falsa das normas que dão ares de legalidade a concessões que beiram a imoralidade. Em muitos desses possíveis exemplos já não subsiste qualquer diferença entre o legal e o imoral.

Eleita pelo voto popular, uma enorme parcela de seus representantes pouco mais faz que atender aos seus próprios interesses ou aos dos grupos que sustentam a sua permanência, de uma forma ou de outra, e é por esse caminho tortuoso que se criam regras de valor ou de moral discutível, regras que abrem espaço para que o legal atropele o justo e crie esse vácuo silencioso que permite ou aceita todos os desmandos que grassam país afora.

Não, não estamos falando do que voga nas casas legislativas mais distantes, nem mesmo no planalto central, estamos analisando o que vem ocorrendo debaixo dos nossos narizes e que tristemente comprova termos perdido até o sentido do olfato. Isso se confirma, quando um único representante popular questiona ações parcialistas e discutíveis, emanadas do executivo local ou quando metade dos membros da casa de leis vota favoravelmente à concessão de privilégios ao funcionalismo municipal, sem que para isso existam razões outras, além do interesse em angariar apoio para a sua sobrevivência no veniagar que tristemente vem caracterizando a representatividade popular.

Carlos Gama.

16/10/2019 10:54:43


* Esta análise tem por base a aprovação do PL 234/2018, de autoria do vereador Sérgio Santana, que concede “meia-entrada’ ao funcionalismo público municipal em cinemas, teatros, shows e outros eventos culturais ou de entretenimentos realizados no município de Santos.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

A Nova Escola Americana e o "Entorno"

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Tinha ouvido um ou dois comentários sobre a possibilidade de aquele terreno - para onde estava programada a ereção de três torres e também privilegiado pelo desvio do traçado do VLT - agora abrigar uma unidade da Escola Americana.

Encanta-nos a proposta em primeira análise, mas começam a surgir as nuvens naturais no céu santista, nuvens densas e antevistas por quem por ali transita com freqüência quase diária e pode observar com triste clareza o ambiente vicioso que cerca aquele trecho da cidade. Não, não é o único e nem o pior, mas ainda assim somente as imagens e os exemplos serão perniciosos para as crianças que por ali transitarem a caminho da escola ou na volta, mesmo que seja de automóvel.

Maus exemplos não faltam.

Não espere pela descrição do ambiente, pois tenho feito isso até em excesso. Quem ainda não conhece o local onde se entorna uma parte dos jovens alunos da universidade, que procure passar por ali durante a manhã e aspirar os vapores etílicos que emanam da calçada defronte, das mesas e das garrafas que sustentam os prazeres e vão minando o futuro dos jovens doutores. Quem preferir transitar à noite, especialmente nas sextas-feiras, também poderá encontrar um ou outro mestre acompanhando seus pupilos, enquanto a passagem dos transeuntes é barrada sistematicamente, levando-os compulsoriamente a transitarem pelo leito carroçável.

Carlos Gama.
04/10/2019 10:35:58
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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Quem é Quem?

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Nas calçadas, os buracos se multiplicam e se aprofundam no descaso crescente do (di) gestor da coisa pública.

Pelo mesmo caminho vão as cavernas nos leitos carroçáveis, onde as molas se quebram, onde a água empoça e dali se espalha pelas roupas dos passantes, quando passam os veículos conduzidos pelos desatentos e pelos desrespeitosos.

Nos pontos de parada de ônibus, então, é que as covas mais se entranham e de onde sai em jatos fartos, a água suja que banha aqueles que aguardam nas calçadas ou nos abrigos meia-boca...

O dinheiro escoa pelas frinchas dos cofres públicos, sem que se veja a contrapartida daquilo que se paga e se sustenta...

Em momentos assim, já tão comuns, é que se pergunta quem é quem nessa terra de ninguém?

Carlos Gama.
27/09/2019 17:41:12

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Obremus

* Termo de abertura do dicionário latino do político brasileiro.
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Colocamos em destaque, hoje, uma nota publicada no jornal Boqueirão News, na coluna de Jairo Sergio de Abreu, a respeito da Nova Ponta da Praia...

Com o título “Perigo na pista”, ele alerta sobre a falta de recuo (área de abrigo) para os pedestres que deverão embarcar ou desembarcar na nossa antiga "Ponte dos Práticos".

Segundo a informação, os usuários das embarcações que ali aportam (a passeio ou para a travessia de todos os dias) ficam à mercê da sorte, dentro da área da “nova” ciclovia, pois não houve previsão de um espaço físico para acolher os usuários daquele local e dos serviços ali prestados.

Ah, velha engenharia de moenda de cana!

Carlos Gama.

16/09/2019 11:18:26

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Através da edição de outro jornal, hoje, soubemos que existe um pedido de tombamento do mercado do peixe e que deverá ser analisado nos próximos dias...

Com tanto de bom, de lógico e histórico para ser preservado, andamos militando em “obra” equivocada.

Foi o que aconteceu com o tombamento anômalo e injustificado, da casa que fica quase defronte da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da cidade, na Avenida Conselheiro Nébias.

Carlos Gama.
17/09/2019 14:46:44

sábado, 14 de setembro de 2019

A História se Perde na Falta de Memória

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Sim, a nossa história vai se perdendo pela falta de memória e especialmente pelos interesses nem sempre muito claros que envolvem a morte de unidades escolares notáveis, colégios que marcaram época e que vão se transformando em caminho para enriquecimento de alguns infelizes, que não têm percepção da responsabilidade e muito menos das conseqüências de seus atos, diante do trajeto pedregoso escolhido pelos seus espíritos.

O Colégio Santista, referência escolar e secular de Santos, em uma manobra ainda não bem compreendida por leigos, como eu, passou a ser mais uma escola pública nas mãos da administração municipal, onde tudo parece fenecer em curto prazo;

Fechada há longo tempo, a Escola Acácio de Paula Leite Sampaio continua apenas uma edificação abandonada pelo descaso e pela inércia do gestor da coisa pública;

Esboroam-se pela inação criminosa do poder público e de seus herdeiros, os edifícios que compõem o Instituto Dona Escolástica Rosa, localizado em área nobre, na orla de nossa cidade;

Sabe-se agora, que entra em fase de fechamento definitivo o Colégio Coração de Maria, marco de um período centenário na história da educação do povo santista.

“À pátria ensinei a caridade e a liberdade” - o lema permanece no brasão da cidade, mas parece que somente ali, pois a caridade vai sendo feita em benefício próprio de alguns poucos e a liberdade navega solta pelos mares bravios da perdição moral.

Berço de homens ilustres e terra de patriotas, infelizmente a nossa cidade hoje caminha a passos largos para acabar sendo reconhecida, em futuro próximo, como o túmulo da cultura e da história.

Carlos Gama.
14/09/2019 10:35:40
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terça-feira, 10 de setembro de 2019

Instituto Dona Escholastica Rosa

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O jogo de empurra pelo qual passa o Instituto Dona Escolástica Rosa, é uma clara demonstração do desinteresse público pelos bens que ficam aos seus encargos ou ao de instituições de benemerência que as tenham aos seus cuidados ou sob sua posse. 

A situação aberrante e o abandono por que passa aquela instituição, raia o sem-vergonhismo e supõe-se até a ação de interesses escusos dos que deveriam ou poderiam fazer alguma coisa para mudar o quadro de abandono em que se encontra o secular imóvel, originariamente doado para que ali fosse erigida e mantida uma instituição de ensino, destinada aos desvalidos da fortuna. Todavia, parece que dela se valem os desassistidos pelos princípios da moralidade e que silenciam comodamente enquanto, quiçá, são tramados os lances que talvez levem ao uso indevido de parte desse patrimônio material, localizado em área nobilíssima e sobre o qual descem os olhos rapinantes dos corvos insaciáveis que o espreitam por todos os lados.

Esperemos das autoridades que ainda militam na senda da seriedade funcional as devidas e necessárias providências, para que a sociedade não vá se arrepender em momento tardio.

Carlos Gama.
10/09/2019 18:53:59
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